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A Realidade Mista e algumas das suas principais aplicações
Realidade Virtual

A Realidade Mista e algumas das suas principais aplicações

Nos últimos anos, a visão sobre a forma com a tecnologia irá afetar as nossas vidas tem sido bastante otimista. Mas, recentemente, também vimos estudos sobre os efeitos prejudiciais das telas no desenvolvimento infantil, os novos fenômenos da dependência de dispositivos e os muitos relatórios de violações de dados.

E os recentes escândalos do mundo da tecnologia nos levam a pensar sobre uma tecnologia que tem sido inserida em nosso dia a dia: a realidade mista. Neste artigo vamos apresentar uma análise feita por Mark Hardy, CEO da InContext, para o site Venture Beat. Nela, ele fala sobre os principais benefícios e custos da realidade aumentada.

Confiram algumas ideias sobre o que poderíamos ver à medida que a RM ganha popularidade – e como podemos maximizar as chances de um cenário otimizado.

Maior consumo

 

Se alguém lhe dissesse há 20 anos que as pessoas do futuro pagariam dinheiro real por moedas em jogos digitais, você certamente ia achar engraçado. Mas aqui estamos, fazendo compras no aplicativo e vivendo vidas muito diferentes da que tínhamos 1998. E muito mudou graças aos smartphones.

Segundo Mark, é provável que um mundo saturado de RM seja aquele em que o consumo geral aumenta. Pesquisas sobre como nossos cérebros processam imagens de alimentos sugerem que quanto mais fotos de alimentos vemos, mais queremos comer. E pesquisas com adolescentes mostram que a exposição a imagens de pessoas fumando cigarros eletrônicos aumenta seu desejo de fazer o mesmo – na verdade, o estudo descobriu que a exposição levou a um “desejo imediato, crescente e duradouro” de fumar.

A lição aqui parece ser que ver aumenta o desejo. Como a realidade mista torna mais fácil ver não apenas imagens, mas também representações em 3D de praticamente qualquer coisa, é provável que passaremos a querer o que vemos mais intensamente. E as chances são de que consumiremos mais como resultado.

O smartphone levou a um novo domínio de experiências consumíveis, e a realidade mista pode fazer o mesmo. As pessoas vão pagar dinheiro real por bens virtuais, assim como fazemos agora com as compras no aplicativo. Imagine comprar acessórios extravagantes (relógios, chapéus, tatuagens) que só são visíveis para quem usa óculos inteligentes ou que só aparecem em imagens digitais.

Esta é uma boa notícia para os varejistas, certamente. Além disso, um novo horizonte de empregos poderá ser criado diante disso.

Mas também há desvantagens. A mineração necessária para produzir novos dispositivos pode ter sérias consequências ambientais, e o lixo eletrônico já está causando poluição do ar, da água e do solo em todo o mundo. Aumentar o número e o tipo de dispositivos disponíveis provavelmente só acelera esses problemas.

É preciso estarmos preparados para isso. Vamos supor que os óculos inteligentes se tornem tão onipresentes quanto os smartphones. Alguém poderia criar um aplicativo que permita aos consumidores ver o impacto ambiental dos produtos e suas embalagens enquanto ainda estão na prateleira – e até mesmo a melhor maneira de se desfazer desse produto. Isso pressionaria os consumidores (e, em última análise, os fabricantes) a reduzir o desperdício em todos os pontos de produção.

Maior empatia e consciência mental

 

Em um cenário ainda mais extremo, com a realidade mista mais evoluída, podemos imaginar algo parecido com o mundo do filme Jogador Número Um, em que o esgotamento dos recursos naturais nos levou a existir principalmente em um mundo virtual.

Mas, se gerenciarmos proativamente nossos recursos e anteciparmos possíveis aplicações da realidade mista, também poderemos ter resultados positivos.

Aplicações de realidade mista já estão sendo aproveitadas para ensinar empatia. Com a capacidade inerente da tecnologia de fazer com que você se sinta dentro de qualquer mundo que tenha sido criado para você, é possível permitir que o usuário experimente algo de uma nova perspectiva.

Na Universidade da Nova Inglaterra, as simulações de realidade mista permitem que os estudantes de enfermagem obtenham uma “compreensão holística dos pacientes com deficiência visual ou perda auditiva”. E esse é apenas um dos muitos usos para a realidade mista no campo da medicina. Além da medicina, estamos vendo a RM sendo usada para ajudar os alunos a aprender como os outros vivem em todo o mundo e para treinar os socorristas para lidar com o estresse.

Cada vez mais indústrias dependem de dados para tomar decisões de negócios, mas algumas indústrias (especialmente aquelas onde a coleta de dados é demorada ou cara) ainda estão à mercê dos instintos dos líderes.

O varejo é uma dessas indústrias. Reorganizar uma loja em um esforço para melhorar as vendas costumava ser um esforço caro e demorado. Os produtos da RM transformaram essa experiência, por exemplo, permitindo que os varejistas configurassem e testassem layouts em questão de horas em vez de meses.

Como a realidade mista torna mais fácil testar cenários mais complexos e da vida real, mais líderes empresariais poderão tomar decisões baseadas em evidências.

Videogames como exercício

 

Você se lembra de Pokémon Go? Enquanto alguns achavam que a massa de adolescentes que andava em volta de parques e bairros era um perigo, o jogo era creditado por fazer um grupo demográfico um tanto sedentário sair de casa e caminhar por aí.

Com os dispositivos de RM amplamente disponíveis, poderemos ter mais exemplos de tais jogos e em maior escala. Em vez de fliperamas, os pontos de encontro dos videogames podem ser espaços abertos ou algo parecido com as academias de Crossfit, onde os jogadores participam de atividades físicas que correspondem a desafios virtuais ou aumentados. Isso pode ter um impacto positivo significativo na melhoria dos resultados de saúde para muitas pessoas.