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A inovação começa com um problema e não uma solução
Inovação

A inovação começa com um problema e não uma solução

Quando empreendedores encontram uma solução inovadora, eles falam muito com orgulho sobre como souberam identificar um problema e criar uma solução para ele, conquistando assim um novo nicho no mercado.

Mas nem sempre é assim que a inovação funciona. Geralmente é a criação da solução que pode acabar revelando o problema. As pessoas têm tendência a reconhecer os problemas de forma retroativa, quando uma invenção faz toda a tecnologia já existente parecer o suficiente para resolver aquilo.

As cartas eram ótimos meios de comunicação antes do surgimento do e-mail, as pessoas achavam o máximo andar com cds e um walkman até o surgimento do iPod. Dificilmente se tem a visão de que é possível ter uma solução melhor. E quanto mais as pessoas aceitam as soluções existentes, mais dificuldade elas têm de expressar os seus problemas.

Pedir para os consumidores descreverem os problemas de um produto ou mercado dificilmente é uma boa solução. Ao invés disso, o melhor pode ser criar narrativas do que as pessoas normalmente fazem. A partir da análise dessas narrativas você poderá descobrir padrões de comportamento, preferências e pensamentos que indicam possíveis necessidades.

Neste artigo vamos falar um pouco sobre este processo de identificar possibilidades de inovação a partir de problemas.

Observe os seus clientes

Por mais que pareça possível descobrir tudo sobre os clientes a partir da tela do computador, precisamos lembrar que essas informações são apenas dados. Claro que é muito importante analisar os dados dos clientes, pois eles podem ajudar uma empresa em vários aspectos, mas com uma observação visual é possível conseguir muitas informações que você não vai encontrar em gráficos e planilhas.

Através da observação é possível ver as soluções alternativas que os clientes estão utilizando e fazer com que um produto que não era tão eficiente se torne melhor. Mas ao invés de criar um ambiente artificial para este tipo de observação, procure analisar o uso desses produtos no dia a dia, na casa das pessoas, no trabalho, ou em qualquer lugar em que o produto esteja sendo utilizado.

E voltando à questão dos dados, nós temos uma certa tendência a fazer questões do tipo pesquisa para saber o nível de satisfação sobre algo. Mas muitas vezes o resultado disso pode acabar não sendo tão claro, afinal, este não é o tipo de questão que fazemos na vida real.

Quando vamos pedir um conselho a um amigo, por exemplo, não pedimos que ele dê uma nota de 0 a 10 para a situação. Essas não são formas naturais de falar sobre as coisas. Ao invés disso, procure fazer perguntas mais abertas que vão induzir as pessoas a compartilharem as suas opiniões e experiências de forma mais clara e sincera. Muitos podem acabar não se sentindo confortáveis atribuindo notas ou avaliações pré-definidas.

Procure saber quais são as suas prioridades

Pode ser difícil avaliar um recurso ou ideia sem ter alternativas para comparação. Quando for fazer este tipo de avaliação, procure pedir para os usuários definirem a prioridade de uma lista de recursos. Faça isso com vários segmentos de consumidores e veja o que eles mais valorizam.

Vamos usar como exemplo o caso de um smartphone. Pode ser muito difícil dizer o valor da importância do tamanho da tela do aparelho sem pensar nos outros fatores. Mas como você avaliaria tamanho da tela, qualidade da câmera, controle de voz, qualidade dos alto-falantes e capacidade de armazenamento de dados em ordem de importância? Esse é um tipo de questão que pode forçar os usuários a avaliar quais recursos são usados com mais frequência, como isso afeta a sua experiência com o smartphone e o que precisa ser melhorado.

Classificar recursos por ordem de importância é semelhante ao processo de diferenciar produtos, por isso pode ser mais fácil para a maioria. Ao comprar um produto como uma roupa, por exemplo, as pessoas geralmente experimentam vários modelos antes de decidir o que comprar. Além de analisar se ficam bem com aquelas roupas, os compradores também analisam algumas características como as cores, quantidade de bolsos, preço e material.

No fim as suas escolhas são baseadas nas características que consideram mais relevantes. As alternativas aumentam a nossa habilidade de selecionar prioridades. Quantos mais nós entendemos as prioridades dos clientes, mais fácil fica de encontrar soluções inovadoras.

Não deixe de observar como os produtos são usados, faça perguntas e obtenha dados quantificáveis dos consumidores fazendo pesquisas sobreas suas maiores prioridades. Os seus futuros consumidores ainda não têm um problema, e eles provavelmente nem terão até você lhes apresentar um novo produto que oferece uma solução para as dificuldades que eles enfrentam agora.

Lembre-se que refinamento e inovação são coisas diferentes. Se começarmos procurando um grande problema, pode ser que não seja encontrada uma oportunidade para inovar. Mas levando os consumidores até a inovação, eles irão notar que tem esse problema e que existe uma forma de trazer mais praticidade para as suas vidas.